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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Australia Day



Dia 26 de Janeiro de 1788 – o dia em que Arthur Phillip e seus  11 navios inlgleses chegaram à Australia.
Apesar da data marcar este evento o dia foi nomeado “Australia Day” não antes de 1935 [e renomado “Invasion Day” pelos aborígenas], e só em 1994 o dia se tornou feriado nacional e motivo de celebração. Fácil de imaginar o estilo contemporâneo das comemorações né?
Claro que acontecem eventos culturais por toda a cidade, fogos de artifício, a nomeação do australiano do ano, entre outros... Mas mais da metade da população australiana estão nas ruas celebrando entre churrascos, festas e festivais.
Um dos maiores festivais de música do país, o Big Day Out acontece em Sydney bem no feriado. Além disso, cada bairro promove o seu próprio evento. Aqui em Bondi Beach o dia é da famosa “Havaianas Thong Challenge”, uma competição de havaianas infláveis no mar.
Assim como o carnaval no Brasil, o feriado se tornou sinônimo de festa e bebedeiras, com a triste diferença  que o feriado aqui não é prolongado. Este ano, o Australia Day caiu na quinta-feira e os empregadores já deram seu recado: nada de desculpas para “sick day” na sexta-feira, e se forem beber, que seja com moderação.
Agora, me diz, que australiano é esse que vai beber com classe tendo a desculpa de estar celebrando o seu próprio dia?
Sorry, I don`t know any.


domingo, 15 de janeiro de 2012

Quando você volta?


“Quando você volta?” é com certeza a pergunta mais ouvida pelos brasileiros que vieram para a terra dos cangurus e se esqueceram de voltar. Isso porque é muito comum extender a estadia por aqui. Na maioria das vezes, tudo começa nas aulas de inglês, seguido de diploma (leiam-se business),  universidaes , sponsor, casamento... e por aí vai. Não necessariamente em ordem.
Claro que muitas pessoas vêm com apenas algum desses objetivos, cumprem e voltam para o Brasil. Mas o post de hoje é especialmente para aqueles que ainda não se decidiram. Não é de maldade, mas essa é uma pergunta impossível de responder.  Impossível porque nem nós sabemos. Não dá para saber o que vai acontecer amanhã, literalmente.
A questão principal é o visto. Para quem está no visto de estudante, o meu caso, tudo é esperança. Sei te responder o dia que ele acaba, mas não sei te falar se até lá terei um visto de trabalho ou se terei pique para continuar "estudando" . Ou mais, quem sabe um mestrado, uma outra graduação, um “defacto”. É por isso que a decisão de ir ficando é quase sempre de última hora.
Com o visto em dia e a cabeça mais tranquila, temos tempo para pensar se é melhor viver na Austrália ou no Brasil. No primeiro mundo ou no terceiro. No inglês ou no português. No rugby ou no futebol. No vegemite ou no requeijão... e por aí vai. E claro, junto de todos aqueles motivos pessoais que pesam na hora de colocar na balança.
O difícil é saber para qual lado.







Brasil x Australia
Assistam o teaser feito pelos brasileiros da HeyMate TV. Muito bom! (link acima)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Família na Austrália


Para a maioria dos brasileiros que vivem na Austrália o Natal e o Ano Novo chegam juntos daquela imensa saudade da família. Tentamos de tudo para matar um pouquinho dessa saudade:  natal com os amigos, ceia brasileira, amigo oculto, skype, vídeos, fotos... mas ainda fica faltando o principal: a presença. No meu segundo natal australiano, assim como alguns outros sortudos (esse ano tiveram vários), tive o privilégio de receber o papai e a (boa)madrasta.
Só quem vive fora e recebe uma visita dessas sabe o quão boa é a sensação. O tempo é contado e queremos curtir cada segundo. E além de aproveitarmos nosso encontro, temos uma lista de cenários e passeios maravilhosos para decorar os dias da melhor maneira.
Falar, explicar, descrever, é uma coisa. Mostrar é outra. Para eles, e para nós. Skype é ótimo, email funciona, telefone ajuda... Mas quando eles sobem no avião e veem olhar de perto à vida dos filhos, se encantam. Mais do que isso, apoiam com propriedade. Claro, engolindo todo o apego e saudade.
Me diz, qual é o pai que vem visitar o filho(a) em Sydney e nao dá todas as razões para ele ter trocado (mesmo que temporariamente) o Brasil pela Austrália? O que mais impressiona é a qualidade de vida. Sem dúvidas. Depois vem toda a paisagem de cair o queixo, o clima, as praias, os portos, os restaurantes, os vinhedos, as estradas, os costumes, e por aí vai.
Hoje, poucas horas depois de deixá-los no aerporto, posso dizer que me sinto realizada em ter conseguido mostrar ao meu pai e à Gláucia, além de tudo que é físico, um pouquinho da minha história com a Austrália. E muito feliz em ter compartilhado minha casa, minha rotina e meus programas.
Um fish n` chips no Darling Harbour, um vinho em Hunter Valley, uma picanha de kangaroo no The Rocks. Dois waffles de chocolate no Max Brenner. Alguns camarões frescos em Bondi Beach. Várias Coopers, Super Dry`s, Carltons.
Um passeio no Botanic Gardens. Uma ida ao Aquário, Zoológico, Galeria de Arte. Uma viagem de carro pela costa. Algumas noites de drinks e queijos em casa. Vários passeios pela Harbour Bridge e Opera House e umas férias sem igual.
Carrego agora, e a todo momento, mais uma saudade de vocês.
A saudade de vocês aqui.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Apaixonante Bondi

[Escrevi este texto em Julho/2010, no meu primeiro inverno australiano e ainda hoje continuo encontrando motivos para me apaixonar por este lugar]



Segunda-feira, day off, sem trabalho na loja, sem trabalho no Pub, sem aula. Uma segunda-feira precedida por uma sexta de vinhos e baralho, um sábado de trabalho e um domingo azul nas graminhas de North Bondi. Quando eu acordei eu tinha duas escolhas, e fiquei uns bons minutos na cama pensando qual seria a melhor: ficar dentro de casa entre televisão e internet ou um passeio por Bondi, a minha deliciosa vizinhança! Optei pela segunda.  Tomei um café da manha, rabo alto no cabelo, chinelo hawaiana, calca jeans e um casaquinho xadrez. Tudo que, devido ao dia ensolarado, me fazia lembrar o verão, ou pelo menos lembrar que alguma hora ele estava por vir. Mesmo sabendo que eu estava no meio inverno. 
O que eu sinto quando ando pelas ruas de Bondi não consigo expressar em palavras, é um sentimento bom de qualidade de vida, de descontração, de novidade. Parei por alguns minutos na praia e sentei de frente para o mar. Olhando aquela infinita linha azul eu me perdi. Tentei enxergar o Brasil, e consegui em pensamento. Me dei conta, mais uma vez, que estou do outro lado mundo. Eu ia vir pra Australia, eu ia cruzar o oceano, eu ia viajar, e aqui estou.  Subi mais um pouco, e tive a vista que eu queria. O mar e Bondi. A minha sensação me fez lembrar uma conversa.
Alguns anos atrás tive uma conversa com minha mãe sobre paixão. Eu falava sobre relacionamento, e como achava difícil um casal permanecer apaixonado para sempre. Eu indaguei por uma solução. O amor se transforma, falava ela. “O segredo da vida é manter-se apaixonada.  Seja apaixonada pelo trabalho, pela cidade, pela nova casa, pelo amigo, pela família. E quando uma paixão se transformar em um sentimento sereno, ache um outro motivo para se apaixonar”.
Hoje entendo que paixao é alegria, é rir atoa, é se surpreender a cada movimento novo, a cada ação, a cada possibilidade de amor. Apaixonar é amar a novidade. Aquilo que desperta a curiosidade. É uma incerteza, mas a incerteza boa, a dúvida esperançosa, a descoberta.
Bondi é apaixonante. O meu sentimento agora é de ser apaixonada por essa nova vida. Austrália, Sydney, Bondi Beach, Rasmgaste Av. e tudo que isso envolve. Comecou a chuva, eu me voltei para o bairro tranquilamente e fui passear pelas ruas. Entre conversas com a vendedora da loja local, visitas a livraria e videolocadora, e a rotineira presença no supermercado, vim sorrindo e admirando cada novo passo. Vou relaxar, comer algo gostoso, assistir o new release alugado... e debaixo da coberta nesse inverno gelado vou curtindo da minha forma mais gostosa mais uma segunda-feira off em Bondi Beach.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Road Trip

Um dos melhores “destinos” de viagem, na minha opinião, chama-se road trip. Não importa para onde nem quando, inverno, verão, praia ou montanha. O divertido é o caminho percorrido e os destinos podem ser vários. O nome diz tudo, viagem de estrada.

Para brindar o início do ultimo verão na Austrália eu e quatro amigas alugamos um motorhome e fomos subir a costa leste, com a idéia de entregá-lo em Brisbane e voltar de avião. Lindo né? Sim. Se você esquecer que eram cinco mulheres que nunca tinham dirigido do lado “contrário” (principalmente um caminhão) e não entendiam nada de automóveis.



Começamos. Motorhome ligado, trânsito na saída de Sydney, “tendencias” para o lado esquerdo e a pergunta que não queria calar: "de quem foi mesmo a idéia de alugar um motorhome?" Até que alguns minutos se passaram e enfim pegamos a Pacific Highway. Relax, música alta e tudo virou festa.

Céu azul e dia quente, as primeiras paisagens correndo aos nossos olhos e então, o primeiro stop: Coffs Harbour ? Não! O acostamento. Paramos para consertar a caixa de gás que estava quebrada, e após inúmeras ligações inúteis para a central de ajuda da empresa (não sabemos os nomes das pecas em português, imagina em ingles?) fomos em uma fazenda pedir um help. Continuamos seguindo e chegamos nas belíssimas praias de Coffs Harbour. A primeira noite merecia descanso. No camping, muito bem estrutado, fizemos um jantar e apagamos.













Renovadas e com a animação a mil, continuamos na estrada rumo a Byron Bay. Por lá estacionamos a “coisa” e só voltávamos a noite para dormir. Que energia tem Byron Bay! Praias, bagunça, hippie nights, passeio ao farol, e claro, Chicky Monkeys. Foi, sem dúvidas, a cidade que mais nos divertimos.
















Tres dias depois, dirigimos mais 90 km e chegamos em Gold Coast. Um pit stop em Coolangata para almoçar e de lá, Surfers Paradise, especificamente para o pub Melbas com direito a free champagne e ostras. No dia seguinte como não deu praia, ficamos por conta de shopping all day. O problema é que dormimos com chuva. Literalmente. Chovia em toda a Gold Coast e chovia dentro do motorhome. Nem para dormir ele estava servindo mais. Foi a gota d`agua.




Atraves de contatos, conheci o Patrick na minha primeira visita à Austrália. O Patrick deve ter uns 40 anos, é médico, australiano e mora sozinho em Brisbane, em uma casa de três andares. Quando ele ficou sabendo do episódio “o motorhome” nos convidou para ficar na casa dele. Na hora certa. Devolvemos o trailer e aí sim conseguimos aproveitar Brisbane: fluffy night, “praia” de Southbank, churrasco brasileiro e muito conforto.






Para finalizar a viagem nós optamos pelo ônibus e depois de uma hora chegamos no último destino: Noosa Heads– Sunshine Coast. Dois dias maravilhosos, praia até 9 horas da noite, festas no backpacker, almoços de frente ao mar. E da melhor forma, despedimos do roteiro.





Se me chamarem para uma outra Road Trip, topo na hora. Mas da próxima vez, vou optar por um carro! Ou por um homem.  


terça-feira, 14 de junho de 2011

Até na Austrália

Eram 7:30 da manha e meu despertador tocando. Quando abri os olhos e olhei pela janela percebi que estava tudo errado. Feriado nacional, aniversário da Rainha, depois de um fim de semana badalado e ainda por cima ventando e chovendo?

Como eu esqueci que não era uma segunda-feira normal, e sim outro domingo para os meros mortais, fiquei horas no ponto esperando o onibus passar no horário de sempre. Nada. Acabei pegando o trem e mesmo assim cheguei atrasada, o que não é muito legal quando é você que abre a loja.

O movimento estava fraco e poucos clientes compravam, afinal ninguém queria saber de sapato no dia do aniversário da rainha ne? E ainda me liga minha chefe com a notícia de que ninguém iria cobrir o meu almoço, e que eu teria que ficar ali mesmo, sozinha, em pé, por 8 horas. E assim foi.

Já eram quase 18h quando peguei minha bolsa e meu casaco e coloquei em cima do caixa para comecar o procedimento de fechar. Counting, banking, sales figures, e eu ansiosa pra ir embora, acabei fechando o 
sistema 3 minutos antes. Eis que me aparece um “cliente” querendo olhar bolsas pra mãe dele.

Era o que me faltava ne? Ter que fazer todo o procedimento de contagem de novo, mas tudo bem, comecei a ajudar o garoto. Ele me perguntava o preço de cada bolsa e o material que era feito. Até que ele me pede para pegar uma em um lugar estratégico, e quando me virei para entregar a bolsa, cadê o garoto? Saiu correndo.

Demorou uns dois minutos para cair minha ficha e antes disso, fechei a loja e o computador. Quando apaguei as luzes e fui pegar minhas coisas, onde estava minha bolsa? Sim, um garoto de 15 anos, ozzy diga-se de passagem, roubou meu celular, $180 dolares, minha carteira de motorista e meus cartões.

Voce pensava que isso não acontecia na Austrália? Eu tambem. Como brasileira sei que ele não roubou por necessidade então prefiro acreditar que ele deu de presente para a Rainha. Mas para mim, esse feriado de segunda-feira 13 estava mais para sexta-feira 13.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Brazilians na Australia



Harbour Bridge

Que dia gostoso de acordar e levantar da cama. Domingo azul e ensolarado de outono, e aquela vontade de fazer alguma coisa diferente. 

Podia ter sido mais um rotineiro dia de domingo, daqueles que curtimos o ócio e deixamos o dia correr, sofrendo antecipadamente pela volta da segunda-feira. Mas não hoje, não aqui na Austrália. Fiz o que todo viajante gosta de fazer: mudar a rotina mudando o cenário. 

Reunimos as amigas, novas e antigas, e fomos atravessar a cidade, do sul para o norte, pelo mar. De Bondi à Manly, de ferry boat. Em menos de meia hora, estávamos "longe", com outra energia. Passeamos um pouco e sentamos de frente para o mar, em um bar local. E uma conversa me fez pensar nos pontos em comum divididos pelos brasileiros que arriscaram viver aqui. 

Sempre acreditei que as amizades se tornam verdadeiras quando as vidas são compartilhadas. E ninguém quer compartilhar idéias, momentos e sentimentos com pessoas que nada tem a oferecer. Escolhemos amigos e amores por, em algum ponto, nos identificarmos. Não que devemos ser ou pensar da mesma forma, muita vezes até buscamos no outro aquilo que nos falta. Mas essa busca já é o ponto em comum.

Venho reparando que ao viver em outro país parece mais fácil se relacionar com os brasileiros. Nós nos atraímos e ficamos próximos, e posso dizer, amigos em um espaço mais curto de tempo. No Brasil uma amizade que levaria talvez anos para ser o que é aqui leva meses ou até semanas.

O motivo é, sem dúvida, o fato de dividirmos o nosso mais forte ponto em comum: a coragem de ter abandonado o Brasil para viver uma nova cultura. São pessoas que deixaram um bom emprego, uma faculdade, um namorado, a família. Pessoas que trocaram o certo pelo incerto, movidos pelo desejo de conhecer um pouco mais do mundo.

Conheço gente que não trocaria o Brasil por nada, outras que preferem viagens de turismo, outras que tem medo. Mas quem está aqui, do outro lado, jogou tudo pro alto e veio. E se continua carregando um sorriso no rosto, já compartilha, só por este motivo, o maior ponto em comum com a maioria.

Cada um com seus motivos, cada um com sua história. É como se estivéssemos começando a vida do zero, construindo aos poucos amizades, amores, trabalhos, enfim, uma vida. Melhor ainda, com toda a bagagem de lembranças e sentimenos que trazemos do Brasil. 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Final do Verao

Bondi Beach no outono (Muito diferente do verao ne?)


Mais um ciclo que vai se fechando. O verão se despede da praia, das roupas leves, do sol e do mar. E mais um inverno se aproxima com a proposta de filmes, vinhos, casa e muito trabalho. Aqui na Austrália é mais ou menos assim, principalmente para nós que não somos residentes.

Pessoas trocando as praias pelas horas de trabalho, as ruas menos movimentadas, poucos restaurantes abertos, e menos barulho na rua. Programas como cozinhar em casa, cinemas e chocolates quente já começam a tomar a cena. Casacos saem das malas e dos armários, as janelas sao fechadas e o vento frio na rua é sentido.

No verão a felicidade parece falar mais alto. Sorrisos no rosto, praia cheia, churrascos, passeios a pé, a vista do por-do-sol, o dia longo. Parece sempre existir tempo para tudo. Um simples dia ensolarado já é motivo para um sorriso. Dia sem trabalho não é mais um problema. No verão, o sábado e a segunda-feira não são tão diferentes assim.

Infelizmente este último verão em Sydney foi muito curto, se fazendo presente apenas em dezembro, janeiro e fevereiro. Apesar disso, dias de 40 graus não passaram despercebidos e a vontade daquele  friozinho ia aumentando aos poucos. Hoje eu me dei conta que aqui estou novamente, no inverno australiano.

É agora a hora de trabalhar, salvar dinheiro e se preparar para as próximas viagens. Frequentar mais as aulas, começar a academia, chegar em casa cansado.  O inverno não é de tudo tão ruim assim. Nós usamos mais o corpo, mas descansamos a cabeça. É engraçado, mas sempre tive a impressão de que somos mais responsáveis no inverno. Precisamos dele para fazer um balanço da nossa vida, e dar uma resgatada nas energias.

Além do que, quem não gosta de curtir um filme ou um livro debaixo das cobertas em um domingo frio de inverno? Ou um chocolate no café da praia, e um cinema com pipoca? Eu amo o verão mas já estava sentindo falta do vinho tinto e das noites de música e conversas na minha casa.

Seja bem vindo, Inverno.