quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Australia Day



Dia 26 de Janeiro de 1788 – o dia em que Arthur Phillip e seus  11 navios inlgleses chegaram à Australia.
Apesar da data marcar este evento o dia foi nomeado “Australia Day” não antes de 1935 [e renomado “Invasion Day” pelos aborígenas], e só em 1994 o dia se tornou feriado nacional e motivo de celebração. Fácil de imaginar o estilo contemporâneo das comemorações né?
Claro que acontecem eventos culturais por toda a cidade, fogos de artifício, a nomeação do australiano do ano, entre outros... Mas mais da metade da população australiana estão nas ruas celebrando entre churrascos, festas e festivais.
Um dos maiores festivais de música do país, o Big Day Out acontece em Sydney bem no feriado. Além disso, cada bairro promove o seu próprio evento. Aqui em Bondi Beach o dia é da famosa “Havaianas Thong Challenge”, uma competição de havaianas infláveis no mar.
Assim como o carnaval no Brasil, o feriado se tornou sinônimo de festa e bebedeiras, com a triste diferença  que o feriado aqui não é prolongado. Este ano, o Australia Day caiu na quinta-feira e os empregadores já deram seu recado: nada de desculpas para “sick day” na sexta-feira, e se forem beber, que seja com moderação.
Agora, me diz, que australiano é esse que vai beber com classe tendo a desculpa de estar celebrando o seu próprio dia?
Sorry, I don`t know any.


sábado, 21 de janeiro de 2012

Sydney - Por Patrícia Perdigão

[Entrevista para o blog www.whatabout.com.br de Carolina Rache]

Sidney Paty Perdigão


Por que Sydney?
Além do clima parecido, o lifestyle de Sydney tem muito de Brasil. É praieira e turística e por isso é fácil para os brasileiros se adaptarem à cultura. Tem tudo aquilo que amamos: praia, sol, esportes, saúde, festas e um cardápio multicultural. Plus, muita qualidade de vida.

Quando ir?
Sydney foi feita para o verão. Recomendo visitar entre Outubro e Março para poder usufruir as badaladas praias urbanas, passeios de carro pela costa, churrascos, almoços e drinks ao ar livre. Além do que, é no verão que a cidade abre as portas para os melhores festivais de música, gastronomia e arte.

Quanto tempo ficar?
Para visitar um mes é suficiente. Para estudar, no mínimo 6 meses. E para morar, para sempre.

Onde ficar?
Como brasileira, nao vim para a Austrália para morar no centro da cidade. Entao recomendo as duas praias de melhor conveniência: Bondi Beach, no sul, e Manly Beach, no norte. Ambas, meia hora da city.

Ideal para?
Trabalhar e estudar ao mesmo tempo – uma vez que eles concedem esse direito. Surfar. Viajar. Se bronzear. Assistir jogos de rugby.  Conhecer gente, cangurus, coalas. Fazer compras e relaxar.

Programas culturais?
Os pontos turísticos mais famosos de Sydney estão no coração da cidade. Acima da baía mais famosa está a Harbour Bridge, que separa o Ópera House e o Jardim Botanico – à direita – do bairro mais antigo de Sydney formado por pedras, o The Rocks – à esquerda. Ainda na city, está o Darling Harbour, um porto muito charmoso rodeado por restaurantes, cafés, o maior cinema 3D do mundo, o grande aquário, e o Wild Life onde podemos ver de perto os cangurus.

Restaurantes?
North Bondi Italian: Tradicional restaurante italiano, frequentado por um público seleto.  O balcony ao ar livre com vista para a praia mais famosa da Austrália – Bondi – é ideal para almoçar com os amigos em um fim de semana de sol saboreando um gelado vinho rosé. Prato favorito: “Bucatini all Nero” Squid cooked in its own ink with a little chilli tomato sauce.

Compras?
O centro commercial mais estiloso em Sydney está localizado na Pitt Street. Nessa região, além do Westfield – shopping mais famoso da Austrália – duas grandes lojas de departamento se destacam pela divesidade de produtos: Myer e David Jones.
O Queen Victoria Building é reconhecido por abrigar marcas consagradas e pela sua arquitetura totalmente diferenciada.

Baladas?
A Kings Cross é uma das áreas mais badaladas de Sydney com dezenas de bares, boates e restaurantes de todos os tipos. Recomendo para quem quer dançar e badalar até o amanhecer.
Outra opcao é a City, onde as baladas mais sao mais seletas e os Dj`s renomados. Minha favorita é a Ivy Pool, devidamente corada com bagalos e piscina iluminada. Para agradar aos ouvidos, o melhro da house music. Mas atencao: só entra quem está bem vestido e não aparenta ter bebido muito. (Nada de queimar a largada no pré, heim?!)

Furada?
Alugar um trailer com camas, cozinha e banheiro para subir o litoral. Perrengue. – Falo por experiêcia própria – Prefira um carro ou aviao.

O que levar na mala?
Roupa de banho, cangas brasileiras, chinelo hawaiana, e muito protetor solar. Com o sol aqui não se brinca.

Sydney pode não ser a capital, mas é a maior metrópole da Austrália. Vá por sua paisagem sem igual, com quilômetros de litoral, pelo porto de cair o queixo e pelos parques montanhosos – tudo regado à clima tropical quente. Precisa mais?


North Bondi Italian Restaurant

domingo, 15 de janeiro de 2012

Quando você volta?


“Quando você volta?” é com certeza a pergunta mais ouvida pelos brasileiros que vieram para a terra dos cangurus e se esqueceram de voltar. Isso porque é muito comum extender a estadia por aqui. Na maioria das vezes, tudo começa nas aulas de inglês, seguido de diploma (leiam-se business),  universidaes , sponsor, casamento... e por aí vai. Não necessariamente em ordem.
Claro que muitas pessoas vêm com apenas algum desses objetivos, cumprem e voltam para o Brasil. Mas o post de hoje é especialmente para aqueles que ainda não se decidiram. Não é de maldade, mas essa é uma pergunta impossível de responder.  Impossível porque nem nós sabemos. Não dá para saber o que vai acontecer amanhã, literalmente.
A questão principal é o visto. Para quem está no visto de estudante, o meu caso, tudo é esperança. Sei te responder o dia que ele acaba, mas não sei te falar se até lá terei um visto de trabalho ou se terei pique para continuar "estudando" . Ou mais, quem sabe um mestrado, uma outra graduação, um “defacto”. É por isso que a decisão de ir ficando é quase sempre de última hora.
Com o visto em dia e a cabeça mais tranquila, temos tempo para pensar se é melhor viver na Austrália ou no Brasil. No primeiro mundo ou no terceiro. No inglês ou no português. No rugby ou no futebol. No vegemite ou no requeijão... e por aí vai. E claro, junto de todos aqueles motivos pessoais que pesam na hora de colocar na balança.
O difícil é saber para qual lado.







Brasil x Australia
Assistam o teaser feito pelos brasileiros da HeyMate TV. Muito bom! (link acima)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Família na Austrália


Para a maioria dos brasileiros que vivem na Austrália o Natal e o Ano Novo chegam juntos daquela imensa saudade da família. Tentamos de tudo para matar um pouquinho dessa saudade:  natal com os amigos, ceia brasileira, amigo oculto, skype, vídeos, fotos... mas ainda fica faltando o principal: a presença. No meu segundo natal australiano, assim como alguns outros sortudos (esse ano tiveram vários), tive o privilégio de receber o papai e a (boa)madrasta.
Só quem vive fora e recebe uma visita dessas sabe o quão boa é a sensação. O tempo é contado e queremos curtir cada segundo. E além de aproveitarmos nosso encontro, temos uma lista de cenários e passeios maravilhosos para decorar os dias da melhor maneira.
Falar, explicar, descrever, é uma coisa. Mostrar é outra. Para eles, e para nós. Skype é ótimo, email funciona, telefone ajuda... Mas quando eles sobem no avião e veem olhar de perto à vida dos filhos, se encantam. Mais do que isso, apoiam com propriedade. Claro, engolindo todo o apego e saudade.
Me diz, qual é o pai que vem visitar o filho(a) em Sydney e nao dá todas as razões para ele ter trocado (mesmo que temporariamente) o Brasil pela Austrália? O que mais impressiona é a qualidade de vida. Sem dúvidas. Depois vem toda a paisagem de cair o queixo, o clima, as praias, os portos, os restaurantes, os vinhedos, as estradas, os costumes, e por aí vai.
Hoje, poucas horas depois de deixá-los no aerporto, posso dizer que me sinto realizada em ter conseguido mostrar ao meu pai e à Gláucia, além de tudo que é físico, um pouquinho da minha história com a Austrália. E muito feliz em ter compartilhado minha casa, minha rotina e meus programas.
Um fish n` chips no Darling Harbour, um vinho em Hunter Valley, uma picanha de kangaroo no The Rocks. Dois waffles de chocolate no Max Brenner. Alguns camarões frescos em Bondi Beach. Várias Coopers, Super Dry`s, Carltons.
Um passeio no Botanic Gardens. Uma ida ao Aquário, Zoológico, Galeria de Arte. Uma viagem de carro pela costa. Algumas noites de drinks e queijos em casa. Vários passeios pela Harbour Bridge e Opera House e umas férias sem igual.
Carrego agora, e a todo momento, mais uma saudade de vocês.
A saudade de vocês aqui.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Namaste



Saúde, harmonia e felicidade - Com carinho e cuidado venho falar da minha mais nova realização: o Yoga. Sempre ouvi falar mas nunca tive muita paciência.  Isso porque quando queria mudanças físicas e mentais eu procurava alternativas rápidas, que por sinal, nunca eram duradouras.

Então resolvi tentar o Yoga, sem nenhum compromisso. Na primeira semana já comecei a perceber uma melhora física e o bem-estar. Confesso que a primeira aula não foi fácil, pensei em desistir, mas a sensação do “após” me fez voltar no outro dia. E nos outros dias, e nas outras semanas, e nos outros meses.

Aos poucos fui encorporando as mudanças que eu estava trazendo para minha vida, com muito sentido e encaixe. Aumentei minha vitalidade, melhorei a alimentação e percebi que tomar decisões tinha se tornado natural e mais fácil.  Foi então que comecei a entender essa tal relação entre o corpo e a mente.

O Yoga é um guia, e ensina também o que fazer quando se está fora das aulas. Qualquer que seja sua intenção, quando se fazem mudanças positivas com base na autopercepção, é possível conectar-se com seu eu verdadeiro e entender por que se faz isso.


Mudar ou transformar?

Muitas vezes, as nossas mudanças nao passam de uma mera agitação de mentes inquietas, que no final, não nos transformam em nada. Já a transformação é mais intensa pois implica em deixar muitos valores e comportamentos para trás.

A minha dica é começar aos poucos, incorporando pequenas mudanças e simples atitudes à uma rotina que aumente o seu bem-estar. Não tenha dúvidas que a transformação vai chegar naturalmente.

Mudar é a pergunta, transformar é a resposta. Mudar é lagarto, transformar é camaleão. Mudar é remédio, transformar é cura. Mudar é unilateral, transformar é multidimensional. Mudar é ginástica, transformar é Yoga. Mudar é pra hoje, transformar é pra sempre.


Namastê Yoga
[Para quem não sabe, Nama significa reverência, as significa eu, te significa voce. A tradução do que eu disse seria “Eu me curvo a você, Yoga”]

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O ritmo da Indonesia

Quando olho para o meu passado, encontro uma mulher bem parecida comigo - por acaso, eu mesma - porém essa mulher sabia menos, conhecia menos lugares, menos emoções. [Martha Medeiros]



Confesso que demorei algum tempo para conseguir colocar a Indonesia no papel. Mas acho que sei porque. Quando viajamos para um lugar novo queremos desbravar, conhecer e achar aquilo que é novo e diferente da nossa rotina.  O que eu achei de diferente na Indonesia foi eu mesma e o meu ritmo de viagem, claro, influenciada pelo clima do país.

O pré-aeroporto já dizia um pouco.  Mala pronta em meia hora, ansiedade zero e nenhuma pressa no caminho para pegar o avião. A minha única expectativa era que Bali continuasse me proporcionando essa tranquilade. Uma viagem nada planejada que foi acontecendo da melhor forma. Curti o meu tempo e descobri o meu ritmo. Algo que só a Indonesia soube me mostrar.

Cheguei. Centro de Bali, Kuta, Legian e Seminiak. Uma feira hippie gigante, pessoas indo e vindo o tempo todo, balineses oferecendo até a alma e uma praia longe do que chamam de paraíso. Uma caminhada de duas horas pela areia preta e no final do dia a recompensa: um por do sol sem palavras com o maior sol já visto no cocktail bar Ku de Ta. Enquanto a noite caia, saímos do movimento e seguimos para Ubud, aquele vilarejo onde se passa a história do livro Comer, Rezar e Amar.



Éramos quatro meninas. O vilarejo, com sua arquitetura hindu, é habitado por nativos amigáveis e macaquinhos ladrões, mostrando a parte cultural de Bali, que por sinal me deixou bem animada pra um Yoga com vista para os campos de arroz. Tivemos até aquela conversa com o lendário guru do filme, o Ketut Lyiar. Cada uma curtia da forma que queria, uma na massagem, outra na piscina, uma no yoga, outra nas lojinhas. O ritmo era acordar cedo, aproveitar o dia e sentir o sono vindo logo depois do jantar. É, nada de festas. Afinal, era o ritmo que Ubud nos permitia ter. E eu estava adorando.



Depois de três dias, a tranquilidade mudou de cenário. Chegamos no paraíso dos surfistas, ou melhor, paraíso dos surfistas brasileiros: Uluwatu e Padang Padang. As ruas de terra ligam uma praia na outra, as vilas são simples e aconchegantes, e os receptivos balineses, que aprenderam a falar português devido à demanda, não perdiam a chance de dizer oi gatinha bonita toda vez que passávamos. Até arroz com feijão se come por lá, e que idéia boa teve esse brasileiro de abrir um PF Brasil em um casebre logo atrás da praia dos surfistas. Céu azul, sol quente e de duas uma: ou surfa ou relaxa.  Mais uma vez o ritmo do lugar me contagiou e eu arrumei dois balineses com a boa vontade (por poucos dólares) de ficar 5 horas naquele mar azul me ensinando a surfar. Resultado: caldos e mais caldos, queimadura de sol, dores muscular, barriga ralada, e a conclusão de que mesmo assim eu quero mais.



Quatro dias se passaram e o destino final: Gili Island, ou posso chamar de paraíso? Sim, de todos os lugares, foi o melhor, e mais bonito, e mais azul, e mais gostoso, e mais feliz!  Saímos do hinduísmo de Bali e fomos, em um speed boat, para uma ilha mulcumana na Indonésia, onde ficamos até o final da viagem. Gili Island nao tem onda para surfista, mas é o mar mais incrível que já vi. A ilha principal tem só uma rua, e é onde se acha peixes frescos, sorvete italiano, cineminha pé na areia, bangalôs de frente para ao mar, casa na árvore, e tudo aquilo que me fez trocar uma viagem de drinks e baladas, por uma viagem relaxante e de qualidade.




Agora eu entendo porque muita gente volta a Bali várias vezes. Eu vou fazer o mesmo. É o lugar perfeito para escolher o seu ritmo, seja ele qual for, recarregar as energias e sentir um enorme prazer em estar bem para ver e viver todo esse paraíso.


sábado, 6 de agosto de 2011

Valeu Thailandia


Cada vez que eu pensava na Thailandia me vinha uma imagem diferente. As conversas com os amigos que já tinham ido me confudiam ainda mais. Ora bagunça, ora paisagens deslumbrantes, ora cultura e os templos, ora festas e a full moon party.
Hoje posso falar que a minha Thailandia foi tudo isso. Metade Hangover part II metade A Praia. E diferente do que eu imaginava foi menos cultura, e mais vida. Menos pesquisa, e mais sensação. Menos glamour e mais Bahia. Foi o que os três vilarejos thailandeses me fizeram chamar de férias.
Valeu Koh Phangan, as festas a beira mar, os shows de pirofagia, as roupas coloridas. Valeu a psicina de frente para o mar, os dias ensolarados, os charmosos restaurantes. Valeu o baldinho de redbull, os mergulhos noturnos e a brilhante lua cheia que nos lembrava o motivo da festa.
Valeu Koh Tao, a pousada mais gostosa, a thai massagem diária, o luau nas areias brancas. Valeu o shake de fruta, as inúmeras águas de côco, a Chang, a Singha, a Tiger. Valeu até a viagem de oito horas mal dormidas no porão de um navio negreiro.
Valeu Koh Phiphi, os dias tranquilos, o azul e verde do mar, os passeios de barco. Valeu o mergulho, os peixes coloridos e os 50 metros de nadada até A Praia. Valeu a rota do tsunami, os macacos ladrões e o pôr-do-sol de tirar o folêgo.  Valeu até a tempestade de chuva, a câmera quase perdida e o muay thai fora do ringue.
Valeu Puket e o passeio de elefante. Valeu Bangkok e o show de ping pong. Valeu pelos incontáveis Pad Thais, pelos passeios de tuk tuk, pelas compras sem fim e pelo sucesso nas negociações. 
Valeu Thailandia, por tudo isso e mais um pouco daquilo que ficou guardado nas fotos, na lembrança e no coração de cinco brasileiras na primeira (de muitas) visitas a este país de “ginga baiana, aguas caribenhas e publico europeu”.




Kop khun kha Thailand.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Apaixonante Bondi

[Escrevi este texto em Julho/2010, no meu primeiro inverno australiano e ainda hoje continuo encontrando motivos para me apaixonar por este lugar]



Segunda-feira, day off, sem trabalho na loja, sem trabalho no Pub, sem aula. Uma segunda-feira precedida por uma sexta de vinhos e baralho, um sábado de trabalho e um domingo azul nas graminhas de North Bondi. Quando eu acordei eu tinha duas escolhas, e fiquei uns bons minutos na cama pensando qual seria a melhor: ficar dentro de casa entre televisão e internet ou um passeio por Bondi, a minha deliciosa vizinhança! Optei pela segunda.  Tomei um café da manha, rabo alto no cabelo, chinelo hawaiana, calca jeans e um casaquinho xadrez. Tudo que, devido ao dia ensolarado, me fazia lembrar o verão, ou pelo menos lembrar que alguma hora ele estava por vir. Mesmo sabendo que eu estava no meio inverno. 
O que eu sinto quando ando pelas ruas de Bondi não consigo expressar em palavras, é um sentimento bom de qualidade de vida, de descontração, de novidade. Parei por alguns minutos na praia e sentei de frente para o mar. Olhando aquela infinita linha azul eu me perdi. Tentei enxergar o Brasil, e consegui em pensamento. Me dei conta, mais uma vez, que estou do outro lado mundo. Eu ia vir pra Australia, eu ia cruzar o oceano, eu ia viajar, e aqui estou.  Subi mais um pouco, e tive a vista que eu queria. O mar e Bondi. A minha sensação me fez lembrar uma conversa.
Alguns anos atrás tive uma conversa com minha mãe sobre paixão. Eu falava sobre relacionamento, e como achava difícil um casal permanecer apaixonado para sempre. Eu indaguei por uma solução. O amor se transforma, falava ela. “O segredo da vida é manter-se apaixonada.  Seja apaixonada pelo trabalho, pela cidade, pela nova casa, pelo amigo, pela família. E quando uma paixão se transformar em um sentimento sereno, ache um outro motivo para se apaixonar”.
Hoje entendo que paixao é alegria, é rir atoa, é se surpreender a cada movimento novo, a cada ação, a cada possibilidade de amor. Apaixonar é amar a novidade. Aquilo que desperta a curiosidade. É uma incerteza, mas a incerteza boa, a dúvida esperançosa, a descoberta.
Bondi é apaixonante. O meu sentimento agora é de ser apaixonada por essa nova vida. Austrália, Sydney, Bondi Beach, Rasmgaste Av. e tudo que isso envolve. Comecou a chuva, eu me voltei para o bairro tranquilamente e fui passear pelas ruas. Entre conversas com a vendedora da loja local, visitas a livraria e videolocadora, e a rotineira presença no supermercado, vim sorrindo e admirando cada novo passo. Vou relaxar, comer algo gostoso, assistir o new release alugado... e debaixo da coberta nesse inverno gelado vou curtindo da minha forma mais gostosa mais uma segunda-feira off em Bondi Beach.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Road Trip

Um dos melhores “destinos” de viagem, na minha opinião, chama-se road trip. Não importa para onde nem quando, inverno, verão, praia ou montanha. O divertido é o caminho percorrido e os destinos podem ser vários. O nome diz tudo, viagem de estrada.

Para brindar o início do ultimo verão na Austrália eu e quatro amigas alugamos um motorhome e fomos subir a costa leste, com a idéia de entregá-lo em Brisbane e voltar de avião. Lindo né? Sim. Se você esquecer que eram cinco mulheres que nunca tinham dirigido do lado “contrário” (principalmente um caminhão) e não entendiam nada de automóveis.



Começamos. Motorhome ligado, trânsito na saída de Sydney, “tendencias” para o lado esquerdo e a pergunta que não queria calar: "de quem foi mesmo a idéia de alugar um motorhome?" Até que alguns minutos se passaram e enfim pegamos a Pacific Highway. Relax, música alta e tudo virou festa.

Céu azul e dia quente, as primeiras paisagens correndo aos nossos olhos e então, o primeiro stop: Coffs Harbour ? Não! O acostamento. Paramos para consertar a caixa de gás que estava quebrada, e após inúmeras ligações inúteis para a central de ajuda da empresa (não sabemos os nomes das pecas em português, imagina em ingles?) fomos em uma fazenda pedir um help. Continuamos seguindo e chegamos nas belíssimas praias de Coffs Harbour. A primeira noite merecia descanso. No camping, muito bem estrutado, fizemos um jantar e apagamos.













Renovadas e com a animação a mil, continuamos na estrada rumo a Byron Bay. Por lá estacionamos a “coisa” e só voltávamos a noite para dormir. Que energia tem Byron Bay! Praias, bagunça, hippie nights, passeio ao farol, e claro, Chicky Monkeys. Foi, sem dúvidas, a cidade que mais nos divertimos.
















Tres dias depois, dirigimos mais 90 km e chegamos em Gold Coast. Um pit stop em Coolangata para almoçar e de lá, Surfers Paradise, especificamente para o pub Melbas com direito a free champagne e ostras. No dia seguinte como não deu praia, ficamos por conta de shopping all day. O problema é que dormimos com chuva. Literalmente. Chovia em toda a Gold Coast e chovia dentro do motorhome. Nem para dormir ele estava servindo mais. Foi a gota d`agua.




Atraves de contatos, conheci o Patrick na minha primeira visita à Austrália. O Patrick deve ter uns 40 anos, é médico, australiano e mora sozinho em Brisbane, em uma casa de três andares. Quando ele ficou sabendo do episódio “o motorhome” nos convidou para ficar na casa dele. Na hora certa. Devolvemos o trailer e aí sim conseguimos aproveitar Brisbane: fluffy night, “praia” de Southbank, churrasco brasileiro e muito conforto.






Para finalizar a viagem nós optamos pelo ônibus e depois de uma hora chegamos no último destino: Noosa Heads– Sunshine Coast. Dois dias maravilhosos, praia até 9 horas da noite, festas no backpacker, almoços de frente ao mar. E da melhor forma, despedimos do roteiro.





Se me chamarem para uma outra Road Trip, topo na hora. Mas da próxima vez, vou optar por um carro! Ou por um homem.  


terça-feira, 14 de junho de 2011

Até na Austrália

Eram 7:30 da manha e meu despertador tocando. Quando abri os olhos e olhei pela janela percebi que estava tudo errado. Feriado nacional, aniversário da Rainha, depois de um fim de semana badalado e ainda por cima ventando e chovendo?

Como eu esqueci que não era uma segunda-feira normal, e sim outro domingo para os meros mortais, fiquei horas no ponto esperando o onibus passar no horário de sempre. Nada. Acabei pegando o trem e mesmo assim cheguei atrasada, o que não é muito legal quando é você que abre a loja.

O movimento estava fraco e poucos clientes compravam, afinal ninguém queria saber de sapato no dia do aniversário da rainha ne? E ainda me liga minha chefe com a notícia de que ninguém iria cobrir o meu almoço, e que eu teria que ficar ali mesmo, sozinha, em pé, por 8 horas. E assim foi.

Já eram quase 18h quando peguei minha bolsa e meu casaco e coloquei em cima do caixa para comecar o procedimento de fechar. Counting, banking, sales figures, e eu ansiosa pra ir embora, acabei fechando o 
sistema 3 minutos antes. Eis que me aparece um “cliente” querendo olhar bolsas pra mãe dele.

Era o que me faltava ne? Ter que fazer todo o procedimento de contagem de novo, mas tudo bem, comecei a ajudar o garoto. Ele me perguntava o preço de cada bolsa e o material que era feito. Até que ele me pede para pegar uma em um lugar estratégico, e quando me virei para entregar a bolsa, cadê o garoto? Saiu correndo.

Demorou uns dois minutos para cair minha ficha e antes disso, fechei a loja e o computador. Quando apaguei as luzes e fui pegar minhas coisas, onde estava minha bolsa? Sim, um garoto de 15 anos, ozzy diga-se de passagem, roubou meu celular, $180 dolares, minha carteira de motorista e meus cartões.

Voce pensava que isso não acontecia na Austrália? Eu tambem. Como brasileira sei que ele não roubou por necessidade então prefiro acreditar que ele deu de presente para a Rainha. Mas para mim, esse feriado de segunda-feira 13 estava mais para sexta-feira 13.